Vortex de Espaço-Tempo
(2005/11/16)
Os quatro giroscópios da GP-B são as esferas mais perfeitas alguma vez feita por humanos. Estas esferas do tamanho de bolas de ping-pong de quartzo e silicone fundidos têm 1,5 polegadas de diâmetro que nunca varia mais de 40 camadas de átomos. Se os giroscópios não fossem tão esféricos, o eixo de rotação mudaria de direcção mesmo sem o efeito da relatividade.
De acordo com cálculos, a torção de espaço-tempo à volta da Terra devia causar uma variação nos eixos dos giroscópios de apenas 0,041 segundos de arco durante um ano. Um segundo de arco é 1/3600 do grau. Para medir este ângulo de modo razoável, a GP-B necessitava de uma precisão fantástica de 0,0005 segundos de arco. É como medir a espessura de uma folha de papel à distância de 100 milhas.
Os investigadores da GP-B inventaram tecnologias totalmente novas para tornar isto possível. Clique aqui para ler mais sobre estas tecnologias (mas, por falta de tempo, terá que o fazer em Inglês). Desenvolveram um satélite que não influenciasse os giroscópios
Está a Terra num vortex de espaço-tempo?
Dentro de pouco tempo saberemos a resposta: Uma experiência de física pela NASA/Stanford, chamada Gravity Probe B (GP-B), terminou recentemente um ano de recolha de dados científicos na órbita da Terra. Os resultados, que levarão mais um ano a analisar, devem revelar a forma do espaço-tempo em torno da Terra e, possivelmente, o vortex.
O espaço e o tempo, de acordo com as teorias da relatividade de Einstein, estão intrinsecamente juntos, formando uma tela tetra-dimensional chamada "espaço-tempo". A temenda massa da Terra abaula essa tela, de modo similar a uma pessoa pesada que se senta no meio de um trampolim. A gravidade, diz Einstein, é simplesmente o movimento dos objectos que seguem as linhas curvas da tela.
Se a Terra fosse estacionária, isto seria o fim da história. Mas não. O nosso planta tem movimento de rotação, e tal movimento devia torcer, ligeiramente, a ondulação, tornando-a num redemoinho de quatro dimensões. É isto que a GP-B foi ao espaço verificar.
A ideia por detrás da experiência é simples:
Colocar um giroscópio em rotação em órbita da Terra, com o eixo de rotação apontado a uma estrela distante, que serviria de ponto de referência. Livre de forças externas, o eixo do giroscópio deveria continuar apontado para a estrela, para sempre. Mas se o espaço é torcido, a direcção do eixo devia alterar-se, com o tempo. Com esta mudança de direcção relativamente à estrela, as ondulações e a torção do espaço-tempo poderiam ser medidas.
Mas na prática a experiência é extremamente difícil.

Um dos quatro giroscópios abordo da GP-B (NASA)
mesmo com a interacção com as camadas exteriores da atmosfera terrestre. Descobriram como manter o penetrante campo magnético da Terra fora da sonda e prepararam um dispositivo que medisse a rotação de um giroscópio sem, no entanto, lhe tocar.
Realizar a experiência foi um desafio excepcional. Muito tempo e dinheiro foram dispendidos, mas os cientistas da GP-B parecem te-la realizado com sucesso.
"Não houve grandes surpresas" na performance da experiência, afirmou o professor de física Francis Everitt, o investigador principal para a GP-B na Universidade de Stanford. Agora que a recolha de dados está completa, ele diz que o sentimento é de "muito entusiasmo, e de compreensão que muito trabalho árduo está à nossa frente.".
Uma análise escrupulosa, cuidadosa e completa está a caminho. Os cientistas fá-lo-ão em três fases, explica Everitt. Primeiro, procurarão irregularidades em cada dia de toda a experiência. De seguida, agruparão os dados, aproximadamente, por meses, e finalmente olharão globalmente para todo o ano. Com estes passos, os cientistas devem poder encontrar problemas que uma análise mais simples poderia ignorar.
Eventualmente os cientistas por todo o mundo escrutinarão od dados. Everitt diz: "nós queremos que os críticos mais severos sejamos nós.".
A fasquia é alta. Se o vortex for detectado, tal como esperado, significa que Einstein estava certo, de novo. Mas se não? Talvez haja uma falha na teoria de Einstein, uma pequena discrepância que anuncia uma revolução na física.
Entretanto, há muita informação a ser analisada. Continue atento.
Authors: Patrick L. Barry and Dr. Tony Phillips | Editor: Dr. Tony Phillips | Credit: http://science.nasa.gov/