Planeta Extrasolar com 5 Vezes a Massa da Terra

(2006/01/25)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Usando uma rede de telescópios dispersa pelo globo, incluindo o telescópio Danish 1.54m, no Observatório do Sul (La Silla - Chile), os astrónomos descobriram um novo planeta extrasolar mais parecido com a Terra do que qualquer outro encontrado até agora. É apenas cerca de 5 vezes mais massivo que a Terra e orbita a sua estrela em cerca de 10 anos. Este é o planeta extrasolar menos massivo e mais frio detectado até agora a orbitar uma estrela vulgar. O planeta tem, decerto, uma superfície rochosa e gelada. A sua descoberta é um passo marcante na busca de planetas que possuam vida.

Designado de OGLE-2005-BLG-390Lb, o novo planeta orbita uma estrela vermelha cinco vezes menos massiva que o Sol e localizada à distância de cerca de 20 000 anos-luz, não longe do centro da Via Láctea.

A sua relativamente fria estrela parente e a grande órbita implicam que a temperatura à superfície ronde os - 220ºC, o que é demasiado frio para a água se manter no estado líquido. É provável que tenha uma atmosfera pouco espessa, como a Terra, mas a sua superfície rochosa está, certamente, escondida por debaixo de oceanos gelados. Fará lembrar mais uma versão massiva de Plutão do que os planetas interiores, rochosos, como Vénus e a Terra.

"Este planeta é o primeiro e único já descoberto que está de acordo com as teorias para a formação do nosso Sistema Solar", disse Uffe Gråe Jørgensen (Niels Bohr Institute, Copenhaga, Dinamarca), membro da equipa.

A explicação teórica mais favorecida propõe que a formação de sistemas planetários se dá pela acumulação de planetesimais (corpos sólidos, de pequenas dimensões), que formam os núcleos dos planetas, os quais, por sua vez provocam a acreção (aglomeração) de gases nebulares, para formar planetas gigantes, se forem suficientemente massivos. Em torno de anãs vermelhas, as estrelas mais comuns na nossa Via Láctea, este modelo favorece a formação de planetas com massas compreendidas entre a da Terra e a de Neptuno, a distâncias das suas estrelas parceiras entre 1 e 10 vezes a distância entre a Terra e o Sol.

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"O OGLE-2005-BLG-390Lb é apenas o terceiro planeta extrasolar descoberto pelo método de buscas de microlente", continuou Jean-Philippe Beaulieu (Institut d'Astrophysique de Paris, França), o autor principal, "Enquanto que os outros dois planetas descobertos pelo fenómeno de microlente têm massas de várias vezes a de Júpiter, a descoberta de um com apenas 5 vezes a massa da Terra, o qual se pensava que seria muito mais difícil de detectar do que os massivos, é uma pista para a vulgaridade destes objectos com pouca massa.".

Contrariamente à maioria dos planetas extrasolares descobertos, o OGLE-2005-BLG-390Lb foi efectivamente detectado utilizando-se a técnica de microlente, baseada num efeito notado por Albert Einstein em 1912.

"Com este método deixamos que a gravidade de uma estrela não ofuscante aja como telescópio gigante, intensificando e aumentando uma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

estrela distante, que, temporariamente, parece mais brilhante", explicou o membro da equipa Andrew Williams (Perth Observatory, Australia). "Um pequeno defeito no brilho revela a existência de um planeta em torno da estrela lente. Nós não vemos o planeta, nem sequer a estrela que ele orbita, apenas vemos o efeito da sua gravidade.".

Uma estrela interveniente do género causa alterações no brilho que duram cerca de um mês. Algum planeta que orbite esta estrela pode dar um sinal adicional, que dura dias, para planetas gigantes, ou apenas algumas horas, para planetas com a massa da Terra.

Para se poder obter as características destes planetas, é necessária a monitorização precisa e praticamente contínua dos eventos de microlente que ocorrem. Isto é conseguido pela rede PLANET, de telescópios de classe de 1m, constituída pelos: ESO 1.54m Danish, em La Silla (Chile), Canopus Observatory 1.0m (Hobart, Tasmania, Australia), Perth 0.6m (Bickley, Western Australia), Boyden 1.5m (South Africa), e SAAO 1.0m (Sutherland, South Africa). Desde 2006 que a PLANET tem uma campanha com a RoboNet, uma rede manuseada a partir do Reino Unido, e constituída por telescópios de 2m totalmente robóticos - Liverpool Telescope (Roque de Los Muchachos, La Palma, Spain) e o Faulkes Telescope North (Haleakala, Hawaii, USA).

A equipa de pesquisa da OGLE (Experiência Óptica de Lente Graviacional), liderada por A. Udalski, Warsaw University Observatory, Polónia, descobriu o evento OGLE-2005-BLG-390 a 11 de Julho de 2005, desencadeando de seguida a recolha de dados com os telescópios PLANET. Foi observada, a 31 de Julho, uma curva de luz consistente com a existência de uma estrela lente única, provocando um factor de amplificação de 3. No entanto, a 10 de Agosto, o membro do PLANET Pascal Fouqué, utilizando o telescópio Danish 1.54m da ESO, em La Silla, notou um desvio planetário. Um ponto OGLE da mesma noite evidenciou a mesma tendência, enquanto que a última metade do desvio planetário, que durou cerca de um dia, foi coberta pelo Perth Observatory. A colaboração MOA (Microlensing Observations in Astrophysics - Observações de Microlente em Astrofísica) pôde, mais tarde, identificar a estrela original das imagens e confiramar o desvio.

Nenhuma outra interpretação para além da da existência de um planeta inferior a Neptuno parece corresponder ao extenso conjunto de dados. Esta descoberta é um novo olhar para o campo das ciências planetárias.

Os astrónomos consideram agora que estes planetas gelados serão muito mais comuns que os gigantes, do tipo de Júpiter. "Com efeito, se planetas do género de Júpiter fossem tão vulgares, o método de microlente devia ter encontrado dúzias deles até ao momento.", continuou David Bennett (University of Notre Dame, USA), outro membro da equipa PLANET.

A técnica de microlente é, provavelmente, o único método actualmente capaz de detectar planetas similares à Terra. "A procura de uma segunda Terra é o objectivo que se esconde por detrás da nossa pesquisa, e esta descoberta é um salto em frente, visto que este é o planeta mais parecido com a Terra conhecido até agora", concluiu o co-autor Daniel Kubas, do ESO.

Foi publicado um artigo na edição de 26 de Janeiro no Jornal Nature, a descrever os resultados desta pesquisa ("Discovery of a cool planet of 5.5 Earth masses through gravitational microlensing" by J.-P. Beaulieu, D. P. Bennett, P. Fouqué, A. Williams, M. Dominik, U. G. Jørgensen, D. Kubas et al.).

 

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