Jovens Estrelas Esculpem Gás com Poderosos Jactos

(2005/11/10)

 

 

 

 

Clique na imagem para visualizar (ou então pressione o botão direito do rato e seleccione "guardar destino como" para salvar no seu disco) uma imagem de elevada resolução - 1741 KB, em formato jpg, desta espectacular nebulosa.

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta é uma imagem feita pelo Telescópio Espacial Hubble de uma das mais dinâmicas e intrincadas regiões do espaço com formação de estrelas, localizada a 210 000 anos-luz, numa galáxia satélite da nossa Via Láctea, a Pequena Nuvem de Magalhães (Small Magellanic Cloud - SMC). Ao centro há um cúmulo estelar brilhante chamado NGC 346. Uma estrutura dramática de filamentos arqueados e esfarrapados, com uma aresta distinta, rodeia o cúmulo.

Uma torrente de radiação proveniente das estrelas quentes do cúmulo devora áreas densas, criando uma escultura fantástica de poeira e gases. O escuro, entrelaçado, é particularmente dramático. Contém vários pequenos glóbulos de poeira que atravessam o cúmulo central.

Jactos energéticos e radiação vinda de jovens estrelas estão a erodir as zonas densas periféricas da região com formação de esterelas, formalmente conhecida por N66, expondo berçários estelares. As difusas ondulações da nébula fazem com que os jactos energéticos não saiam directamente do cúmulo, deixando um rasto de filamentos marcando o trajecto espiralado dos jactos.

O cúmulo NGC 346, ao centro desta imagem do Hubble, é constituído por, pelo menos, três sub-cúmulos que possuem, colectivamente, dúzias de estrelas quentes e azuis, altamente massivas - mais de metade das estrelas de elevada massa conhecidas em toda a galáxia SMC. Uma míriade de cúmulos compactos é também visível nesta região.

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

Alguns desses mini-cúmulos parecem estar envolvidos em poeira e nebulosidade, e são locais de recente ou actual formação estelar. Muita da luz das estelas desses cúmulos é avermelhada devida a concentrações locais de poeira, que são as reminiscências da nuvem molecular que colapsou para formar N66.

Uma equipa internacional de astrónomos, chefiada pela Dra. Antonella Nota, do Space Telescope Science Institute/European Space Agency, em Baltimore, tem procedido ao estudo dos dados do Hubble. Numa edição do Astrophysical Journal Letters a equipa publicou a descoberta de uma rica população de estrelas juvenis, dispersas em torno do jovem cúmulo NGC 346. Estas estrelas ter-se-ão formado entre há 3 e 5 milhões de anos atrás, juntamente com outras estrelas do NGC 346. Estas estrelas recém nascidas são particularmente interessantes devido a ainda não se terem contraído ao ponto de começarem as reacções de fusão nuclear, no seu núcleo, para converter hidrogénio em hélio.

Ambas as Pequena e Grande Nuvens de Magalhães são galáxias difusas e irregulares, visíveis a olho nú no hemisfério sul. São duas pequenas galáxias satélite que orbitam a nossa Galáxia Via Láctea, numa longa e lenta jornada em direcção à nossa galáxia, para uma possível futura união. O Hubble já resolveu (termo de óptica - capacidade de resolução = capacidade de separaçãom, de distinçao de dois pontos/objectos. Experimente traçar duas linhas paralelas, separadas por alguns milímetros, numa folha de papel, e afastá-la, progressivamente, de si; a partir de certa distância, deixará de conseguir discernir as duas linhas e passará a ver só uma - é esse o seu limite de resolução a olho nú. Com instrumentos ópticos como binóculos e telescópios, o poder de resolução é altamente incrementado) muitas outras regiões de formação de estrelas em ambas estas galáxias vizinhas, fornecendo aos astrónomos laboratórios diferentes daquele que é a nossa Via Láctea, para estudarem como é que as estrelas jovens interagem com e moldam os seus ambientes. As duas galáxias foram baptizadas em honra ao navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), o primeiro a fazer uma expedição de circumnavegação do globo.

Esta imagem da NGC 346 e formação estelar nas redondezas foi tirada com a Advanced Camera for Surveys, do Hubble, em 2004. Dois filtros de largura de banda que conjugam a luz das estrelas com comprimentos de onda visíveis e de infravermelhos próximos (mostrados em azul e verde, respectivamente) foram combinados com luz da nebulosidade que passou através de um filtro de banda estreita de hidrogénio-alfa (mostrado a vermelho).

 

Ler notícia original (NASA)